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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Quém quém


Visão, audição, olfato
Paladar e quem falta? O pato!
Virou um sentido
O intrometido
Velho conhecido com encaixe exato!

Luciana e Guilherme Peralva

sábado, 16 de junho de 2018

Festa junina


Chapéu, cavanhaque, bigode, gravata
Mãos dadas aos pares e pose gaiata
Ele olha de banda
E dança ciranda
Arrasa na roda meu nobre pirata

terça-feira, 8 de maio de 2018

Para desembaçar


O líquido-edificador sacode e mistura tudo
Entrou no redemoinho, ele pica bem miúdo
Quem erra o passo
Fica sem baço
Volta o viço da infância e o rosto bochechudo 

Luciana e Guilherme Peralva

quinta-feira, 1 de março de 2018

Epifania



Sapato, sem par ou pudor,
procurava por uma poça pra pisotear

Parou, reticente, rente à relva reluzente
recém regada e enrubesceu

Resistiu extasiado ao experimentar a eclosão
do embrião de uma embriaguez emocional

Em vez de destruir, debutou, num devir
uma dança débil diante da dádiva

Durante o adágio, agarrou, afanou, afagou
e se afogou: amou do âmago da alma

Animou-se passivo e apaixonado ao pensar
no seu potente par a penetrá-lo

Mais que pisotear, percebeu que precisava ele
do pisão bem dado de um pé pesado

Improvisou na imaginação, inventou imagens incríveis,
idealizando a introdução do intruso em si

Que oba-oba, olê-olá, onda oblíqua, obra profícua,
oásis ao som do oboé! Ó, oco obscuro!

Ode ao pé!
Sapato omófago
Fome
Fogo novo
Pôs um ovo!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Qual é a letra?


Disfarce em lycra com capa de nylon
Spray no cabelo, nos pés um pompom
Layout chinfrim
Imune ao bullying
Lá vem nosso herói: poderoso "Íspilon"!

Luciana e Guilherme Peralva

domingo, 7 de janeiro de 2018

Feliz 2018!


Começou diferente mesmo, o 2018. Com cheiro de mudança, muita reflexão e uma pitada de tristeza. Mas o nosso primeiro sarau Poesia no Parque do ano foi encorajador e super livre. Cada um leu o que achou que devia, de poetas consagrados ou não, poemas autorais, pessoas novas se apresentaram, gente de dentro e de fora (do grupo e do país!).

Escolhi ler dois poemas meus e o haicai abaixo, do Guilherme de Almeida:

O pensamento 

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

Guilherme de Almeida

Feliz 2018. Obrigada, família literária. Obrigada, literatura. Obrigada, Poesia no Parque!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Rosa?


Improviso com a palavra "rosa". Deixei num caderninho na exposição Poesia Agora na Caixa Cultural. Está um barato e vai só até 05/08! #poesiaagora

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Vaqueria


Enquanto a vaca não vai pro brejo
Avacalhas avisos, sortilégios
Sopros no vento
Lamento

Enquanto a vaca não voa
Permaneces à toa
Canoa furada
Nada

Enquanto a vaca não tosse
Espirra pra que te coces
A pulga na orelha
Aconselha

Enquanto a vaca não pia  
Voltemos à vaca fria
Três, dois, um
Bum!

Vaca, vaca, uma ova!
Cava, cava tua cova graúda
Que quando a vaca gritar: muuuuuda!
Já será tarde demais

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Limeravia



Amanheci com vontade de limericar
Escrevi a esmo sem muito pensar
Veio a aldravia
Disse: - Bom dia!
Descobri que queria mesmo era aldraviar!

Diversificar
Ritmo
Rimas
Palavras
De
Versificar

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Limerique da Saudade


A ausência do papai desarmoniza o ambiente 
Maroca arranja otite e eu fico doente 
Aos trancos e barrancos 
Mamãe de cabelos brancos 
Todos fazemos coro: papai, volta pra gente!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Uma semana

L ogo no início de abril
U m dia parte meu bem
I nsensível, a saudade 
Z omba de mim.

C astigo maior pra ele
L onge, tão longe daqui
A guenta firme, amor!
U ma semana apenas
D epois serão beijos
I ntensos abraços
O lhos nos olhos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Castelo de areia


No mundo da lua
Eu vivo feliz
Cabeça de vento
Planta sem raiz
Ideias velozes
Ferozes, febris
Sem foco, eu me perco
Só que ninguém diz
Esforço dobrado
Teimosa aprendiz
Anseio alcançado
Nem que por um triz
Parece mentira
Tudo que já fiz
Nessa minha história
Escrita no giz.

domingo, 2 de março de 2014

Dia feliz


Lindo e lento o dia de ontem
Dormi pouco ou nem dormi
Não comemorei
Não dancei, não saí
No entanto, meus amigos,
Aniversário melhor nunca vi

Chorei lágrimas de alegria
Após noite de sentinela
Comecei bem o meu dia
Sem bolo nem vela
Com presente surpresa
E um largo sorriso banguela!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Amor em gotas


Plic, plic...
Leite, lágrimas
Plic, plic...
Sal, leite, sangue
Nos seios
Plic, plic...
Pingos de dor
Lancinante
De lactante
Latejante
Contente
Cantante
De mãe

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nasceu!!!

Reparem todos nesta monotipia
Matriz de minha autoria.

Sem modéstia e cheia de alegria,
Celebro o milagre deste dia!!!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O sonho


Nas ideias da moça, teria menina
Outro palpite não lhe acenava
Papel principal, em seus textos, porém,
Era menino que ocupava.

Observação da professora
Misto de sensibilidade e sutileza
Interrogação mais que bem-vinda
Deu um fim a toda aquela certeza.

Em conversa de intuição, dispersa,
A moça repetia a intenção antiga
Mas resposta imprecisa não satisfaz
Curiosidade de melhor amiga.

A observação da professora veio à tona
E, tomada por um entusiasmo de arrepiar,
Disse, a amiga, que havia sonhado
Com o menino que estava para chegar!

Trazia-o pela mão a bisa paterna,
Revelando que a moça já percebia
A presença do filho tão desejado
Nas histórias que escrevia.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Baleia

Poema inspirado no conto Baleia de Graciliano Ramos


Na pior noite da vida nossa
O Pai encarnou o Capeta
Um aperreio, uma aflição
Duas olheiras violeta
Quando notamos sua intenção
A coisa já estava preta.

A Baleia corria perigo
Mas como podia ser?
Era pessoa da família
Por que havia de morrer?
Já nos dera tanta alegria
Tinha direito de adoecer!

Pra camarinha fomos rebocados
Pela Mãe, de coração pesado
Queria nos poupar do sofrimento
De assistir a crueza ali do lado
Ela aceitara a decisão do Pai
Mas partilhava nosso grito chorado:

Vão bulir com a Baleia?
Ora, faça isso não!
Coitadinha da Baleia!
Um 'cadim' de compaixão!
Pobre da cachorra Baleia!
Sacrifício não é solução!

Apesar de nossos protestos
O Pai atirou nos quartos da bicha
Que fugiu lá pros juazeiros
Se arrastando feito lagartixa
Não satisfeito, ele 'inda foi atrás
Pra acabar de vez com a rixa.

Nunca mais vimos Baleia
Nem falamos sobre ela
Pois o Pai, depois daquilo
Virou poço de querelas
É, de nós, quem mais padece
Com saudade da cadela.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Feitiço Maroquino pra fazer sorriso

Esferas negras, bolas de gude
Espelhos convexos, reflexos
Jaboticabas de vem-me-ver
Olhos saltados, arregalados
Expressão de não-sei-quê
Cabeça tombante
Esquerda, direita
Touchè!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

23 de julho de 2013


Foi no dia da chegada da frente fria
Da abertura da Jornada Mundial da Juventude
Foi bem no dia do aniversário da neta do meio
Junto do Dominguinhos
Ela se foi.

Mãe de cinco,
de sete,
Bisa do meu pequeno
Que só conhecerá seus encantos
Por meio de nossas palavras
Nossas lembranças.

Ela se foi
Após longa caminhada
Deixando muita saudade
E um sentimento de gratidão sem tamanho.

 Homenagem a minha vovó linda Maria Onices Figueiredo Monteiro